segunda-feira, 16 de abril de 2012

vagam lumes

imagem by site fotográfico Devian Art 

Vagam lumes na noite

A poesia voa em bandos
iluminando a noite
pirilampos riscando o breu .

Caçadora de versos
corro atrás das lamparinas
Que dançam, se oferecem
depois se esquivam, sobem, descem...

Vou devagar
no compasso do coração
suavemente...
miro e, ... póf!
Brilham na palma da mão...

*Carmen Regina




*

domingo, 15 de abril de 2012

Divindade



[...]

Divinos eram os deuses antes que Eros te criasse e tu me oferecesses a maçã do amor,
que ficou grudada no céu da minha boca junto com teu beijo.

Divino é o teu hálito, tempo todo semeando primaveras nos Jardins 
do meu peito.
[...]

*Carmen Regina

quarta-feira, 11 de abril de 2012

sabor e arte




A sós
com meus pensares e sentires, 

o luar e as estrelas beijando-me, 
tua lembrança me vem com a vastidão dos oceanos, 
e a pureza cristalina das águas doces dos mares subterrâneos.

Tu és poço de insondáveis mistérios,
sonho 
sabor e arte.




imagem: beateles blogspot




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domingo, 4 de março de 2012

entrega

 













Ó, Alma do Universo,

trago a ti  palavras  cheias de mim, densas, carregadas de sono e cansaço,
trago-as, na esperança de que o teu silëncio as formate e as  torne límpidas, cristalinas e leves,
como a paina, a flor do dente de leão, as nuvens de algodão,
 translúcidas, como bolhas de sabão.
Trago, também, meu coração nas pontas dos dedos.  Para que tu os mova e eles  aprendam
a escrever em teu nome  e sob o teu olhar.
Estes olhos, tão meus  e que vivem fechados, tos dou, -  a ver se se abrem à tua realidade.
Dou-te, outrossim,  minha língua para que a ensines a falar em amor, e meu amor também
 te dou,  para que contigo ame a tudo que existe como a um irmão, uma irmã, como à tua criação,
sem diferenciar coisas, bichos, montanhas, pedras, animais, rios e gente, nuvens e estrelas.
Coloco diante de ti o  corpóreo  que penso ser, para que me mostres onde tu estás nessa
chama invisível e incorpórea que Eu Sou.
Também esta chama te entrego e, com ela,  as cinzas que restam de mim no chão.
Se algo sublime nelas puder ser percebido,  que seja a essência, o imã, o laço que me liga a Ti
e à Tua criação.


Carmen Regina

sábado, 11 de fevereiro de 2012

noite a dentro ...

                                                             (imagem do Google)



Noite adentro

Fecho os olhos, a noite se cala.
Não há nada que não seja sentido.
Sinto. Ah!... primeiro o incenso,
saboreio o espiritual;
Agora, a mansidão da chuva,
algum ruído incidental
e o zumbido intermitente do éter no ar,
milhões de cigarras em uníssono, mantra,
a noite do universo dentro da minha cabeça.

Conflitos e contradições emergem...
Que sei eu do que serei em seguida ao espanto,
se já quase nada me espanta?

Maravilho-me diante do inesperado...
As palavras que me tocam despertam a loba
morta de fome.
Acorda o poeta no mundo dos sentidos.

Carmen Regina

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

à beira do a mar ...





“Lá vem ele,
poeta na alma, poesia no olhar,
versos nas pontas dos dedos;

Um zás! Asas de borboleta a farfalhar,
sabiá laranjeira a cantar e,
sinta! Ah!

Espera! Senta aqui comigo,
vem ver a celebração do luar,
o manto dourado caindo sobre os ombros da noite,
colar di amantes cintilando no pescoço do horizonte...

O céu é a tua boca, pura estrela.
Nessas horas o sertão vira mar, seu moço.
Cola o  ouvido no caramujo e ouve:

É o marulho das ondas,
sereias cantando, o poeta sonhando  
à beira do a mar.

*Carmen Regina 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um belo dia, um poema





É para ser um belo poema esse dia.
Peço licença para o ler em voz alta,
quem sabe os passarinhos ouçam,
e as flores exalem seus perfumes,
quem sabe meus rebanhos silenciem
e eu possa finalmente ver
sem cortinas no olhar.

Seja este dia um retalho da colcha de eternidade
que o espírito foi criado para bordar, 
E que a humanidade desperte do sono
pela mídia embalado
e que possa ver o que náo tem  paciëncia para perceber,
- o culto desenfreado  ao consumo,
 às tecnologias desafiadas pela Natureza;
e que as autoridades nomeadas pelo povo
honrem as milhóes de vidas ao seu discernimento
confiadas.

Sejam os sonhos infinitos, leves e breves.
Semibreves, colcheias, claves de sol imensas
desenhadas pela pena do amor 
na pauta dourada do coração do poeta...
 Possam nossos ouvidos ouvir a melodia
da flauta de Deus.



Carmen Regina - foto de Rarindra Prakarsa

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

apenas um vento...

(direitinho Van Gogh...)



E aí, me vi, vento,
agora, quase brisa, 
mas fui fundo no movimento,
temporal, ventania, tornado, 
o ar agitado,
a fúria do elemento,
raios e relâmpagos riscando o breu,
a paisagem dos sonhos no chão,
as árvores sendo arrancadas pelo ciclone,
as flores despetaladas ao açoite do vendaval,
fios de ternura cortados,
mil desejos destelhados,
nada parado em pé,
além deste ser que caminha a meu lado,
e que eu, poeta desacorçoado, confiante, sigo.

Olhar perdido no horizonte, 
cato meu coração,
firmo os pés no chão e, qual bambu que se levanta 
antes da bonança,
levanto a cabeça e 
sigo em frente.

Sem róseas lentes, 
sem aquela  substância 
que dá consistência aos sonhos,
sem mais nada, além da certeza
da essëncia que há em tudo,
essëncia cósmica e divina,
que sobrevive aos temporais.
“Sin perder la ternura jamás!”


Carmen Regina

Adoro vir aqui pra reler o que vocë escreve comentando o que leu... Dá vida, dá fogo aos meus sentires. Muito obrigada.





Tem dias que a alma é  uma fábrica
eu, a operária, no tec tec sem fim,
ela não para, as minhas mãos disparam,
e os poemas entram e saem  de mim.

Sim, eu me  identifico,
É natural,  vivo em sua companhia,
sei o que ela pensa, o que sente,
co-autora que sou da poesia.

Ela é linda, amorosa e apaixonada,
Vive para   te adorar,
e é por mim que mantém a calma,

Sabe que nascemos para nos amar,
então se contém,
mas, só eu sei o que me vai na alma.


Carmen Regina

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Registro de Poesia









No livro do E terno


Poeta se achega de manso,
e ocupa  lugar no momento.

No mesmo instante, se espessa
e se apossa da forma, a alma.
A mente cochila,
as máos se tornam maleáveis,
tapete de nuvem se estende no chão,
os sentidos giram, alucinado
s,
o corpo serena, o poeta se acalma.
As brisas passam, varrendo tudo,
as penas flutuam no campo de pouso do peito
do poeta.
O tempo para pra ouvir o zumbido das abelhas.
É a hora do anjo.


Nasce poesia na manjedoura da língua.
O mel escorre pelo canto da boca 
do poeta
solitário, em seu trabalho de parto.


A abelha rainha entrega sua oferenda,
alma nas pontas dos dedos.
No céu, uma lua branca anuncia
o registro de Poesia
no livro do E terno.


Carmen Regina 


imagem do google